E se...
Doze textos de natal: reflexão número um.
Quase não deu tempo, mas estou aqui.
O plano (lembram?) era escrever um texto por dia, começando hoje e seguindo até o dia 24, um pequeno ritual de presença, de pausa, de olhar para dentro. E por alguns minutos eu realmente achei que meu dia ia me engolir. Aquelas horas que escapam pelos cantos, os compromissos que insistem em se multiplicar, a sensação constante de que sempre estou correndo atrás de mim mesma.
Mas, de alguma forma, o universo me empurrou até aqui. Talvez porque ele queira me ver escrevendo. Ou talvez porque ele insiste em me lembrar que cumprir as promessas feitas a mim mesma, mesmo as pequenas, sempre valem a pena.
Tenho pensado muito sobre o que quero registrar nesses dias que antecedem o Natal. Sobre aquilo que desejo guardar, contar, confessar, rir, e talvez até resmungar um pouco. Tenho muito a agradecer, claro. Muito mesmo. Mas, sendo honesta, também tenho um bom estoque de reclamações, pequenas e grandes.
Nada de novo no mundo… e, ainda assim, profundamente humano. E entre gratidão e queixas, esperança e cansaço, sigo tentando entender o que esse período sempre desperta em mim: uma mistura de nostalgia, expectativa e uma vontade silenciosa de reorganizar não só a casa, mas a alma.
Então começo assim: aos trancos, no último segundo, mas presente.
O livro é The Names, de Florence Knapp, que ainda não saiu no Brasil, mas que eu espero muito que saia logo, porque esse eu recomendo bastante!
Escolhi esse livro para começar porque tenho tido muitos sentimentos controversos com relação ao meu trabalho (que eu amo, mas me exaure ao extremo!). E The Names pareceu me puxar justamente para esse lugar: o das coisas que eu não decidi ou que decidi tão rápido que nem percebi.
De alguma forma, tenho imaginado quantas versões de mim mesma estão guardadas nesses espaços invisíveis.
🌫️ Versões que estudaram outra coisa.
✈️ Versões que ficaram em outro país.
🛑 Versões que disseram “sim” ou que disseram “não”.
💪 Versões que persistiram quando eu desisti.
🏡 Versões que ficaram quando eu fui.
🔥 Versões que ousaram de um jeito que eu não ousei.
A autora escreve sobre nomes, mas, no fundo, está falando de identidade. E a minha identidade sempre carrega um pouco de tudo o que eu deixei de ser. E penso nos “e se” que senti escorrer pelos dedos em momentos decisivos.
❓ E se eu tivesse ido?
❓ E se eu tivesse ficado?
❓ E se eu tivesse tentado?
É que viver exige uma coragem dupla:
💛 a de fazer escolhas,
💛 e a de aceitar que, ao escolher uma coisa, inevitavelmente deixamos outra para trás.
Às vezes dói perceber isso.
Outras vezes traz um conforto inesperado.
Porque existe sabedoria em saber o que deixar ir, mesmo quando o coração insiste em imaginar como seria segurar tudo ao mesmo tempo.
E talvez essa seja a beleza dessa época do ano: dezembro sempre me lembra que não preciso carregar todos os futuros possíveis — apenas o meu.
🎄 E que, se eu olhar com carinho para trás, vou perceber que mesmo as escolhas que pareceram pequenas foram desenhando uma história que só existe porque eu a vivi, e não outra.
E então fica a dúvida:
🌱 Dos caminhos que segui, seriam melhores os que eu apenas toquei com a ponta dos dedos?
🔤 Dos nomes que escolhi, seriam melhores os que nunca chamei?
🌌 Dos futuros que deixei dormir enquanto segui adiante, seria melhor ter permanecido?
Talvez eu nunca saiba.
Mas talvez — e aqui reside a graça — eu não precise saber.
No espírito do Natal, talvez o mais generoso que eu posso fazer por mim mesma seja aceitar que fiz o melhor que pude com o que eu sabia, com a maturidade que eu tinha, com os medos que me guiavam, com o amor que eu queria proteger. E permitir que o “e se” exista sem se transformar em peso. Que ele seja apenas uma porta entreaberta para versões de mim que nunca existiram, e não um fantasma que insiste em me acompanhar pelos corredores da vida adulta.
Porque, no fim, os “e se” não são inimigos. Eles são testemunhas silenciosas das minhas possibilidades.
✨ Há sempre uma beleza escondida naquilo que deixamos para trás.
Em outra vida paralela, talvez eu viveria outros mundos. Talvez eu tivesse tomado decisões mais ousadas, ou mais sensatas, ou mais leves. Talvez tivesse permanecido quando fui, ou ido quando fiquei. Talvez tivesse escolhido uma carreira que não drenasse minha energia ou talvez tivesse descoberto um novo tipo de cansaço em qualquer outro rumo que tomasse.
Mas é esta vida aqui que escolhi chamar de lar.
🌟 Este presente meio bagunçado, meio brilhante, cheio de sonhos que ficaram e outros que desisti no meio do caminho.
E, no final das contas, todo esse texto parece extremamente profundo, quase filosófico, quase uma epifania natalina sobre identidade e destino. Mas, se eu for muito honesta… é basicamente só a minha reflexão tentando descobrir se eu realmente preciso gastar tanta energia assim com um trabalho. Um trabalho que eu amo, diga-se, mas que me deixa extremamente exausta.
E a exaustão é uma das portas para depressão…
Talvez essa seja uma das perguntas deste dezembro.
E talvez, até o dia 24, eu encontre ao menos um pouquinho de paz nessa resposta.
🎄✨ Até depois de amanhã.


